Os “Escândalos do 01”: relembre a trajetória de Flávio Bolsonaro até as Eleições de 2026

Os “Escândalos do 01”: relembre a trajetória de Flávio Bolsonaro até as Eleições de 2026

Flávio Bolsonaro está na política há mais de 20 anos e chega à disputa pela Presidência carregando um histórico de rachadinha, amizades perigosas e investigações. Neste dossiê, separamos o que foi acusado, o que foi anulado, o que segue sob investigação e o que é simplesmente fato público.

Aviso importante: acusação não é condenação. Flávio nega irregularidades e nunca foi condenado em nenhum dos casos abaixo. Deixamos claro o status de cada episódio, e o julgamento político fica com você, leitor.


Quem é Flávio Bolsonaro?


A intimidade dos Bolsonaro: a criação dos filhos e a vida em família …

Flávio entrou na política aos 22 anos. Foi deputado estadual no Rio de Janeiro (Alerj) por quatro mandatos seguidos, de 2003 a 2018. Naquele ano, elegeu-se senador com mais de 4 milhões de votos, na onda da eleição de seu pai, Jair Bolsonaro.

Vale a pergunta: ele construiu uma carreira própria ou vive do capital político do sobrenome? Os fatos a seguir ajudam a responder.


O caso Queiroz e a rachadinha


Flávio Bolsonaro pede votos para Fabrício Queiroz, pivô em suposto …

O que é rachadinha? É quando o político exige que funcionários do gabinete devolvam parte do salário a ele ou a pessoas ligadas a ele. Na prática, é dinheiro público voltando para o bolso de quem o nomeou.

O caso veio à tona quando o Coaf (órgão que monitora movimentações financeiras suspeitas) apontou transações estranhas de Fabrício Queiroz, assessor de Flávio na Alerj. Em 2020, o Ministério Público do Rio denunciou Flávio por organização criminosa, peculato (desvio de dinheiro público) e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, Queiroz operava o esquema e Flávio o liderava.

E o desfecho? Aqui está o ponto que muita gente omite, de um lado ou de outro:

  • em 2021, o STJ anulou atos importantes do juiz de primeira instância, e com isso provas caíram;
  • depois, a denúncia foi arquivada pelo Órgão Especial do TJ-RJ;
  • Flávio não foi condenado.

Ele nega tudo. Diz que Queiroz tinha autonomia sobre parte da equipe e, em 2026, chegou a chamar a rachadinha de “espuma”.

Só que “as provas foram anuladas” não é o mesmo que “está provado que nada aconteceu”. Significa que a Justiça entendeu que o caminho para obter aquelas provas teve falhas. O leitor tem todo o direito de achar estranho que um gabinete inteiro tenha ido parar no centro de um escândalo sem que ninguém, no comando, soubesse de nada.


Milícia: o que foi documentado

Atenção: ninguém está afirmando que Flávio foi miliciano. Isso não existe em nenhuma decisão.

O que existe é uma lista de relações documentadas entre o gabinete dele e gente apontada pelo Ministério Público como ligada a grupos criminosos. O nome mais conhecido é Adriano da Nóbrega, ex-policial suspeito de comandar uma milícia. Segundo as investigações, mãe e esposa de Adriano estiveram empregadas no gabinete de Flávio, e Queiroz mantinha relação com ele. Flávio ainda chegou a homenagear Adriano na Alerj.

Ter relação com alguém investigado não prova, por si só, que a pessoa participou dos crimes. Isso vale para Flávio como valeria para qualquer um.

Mas política também é escolha de companhia. E o histórico de quem se cerca, emprega e homenageia é um critério legítimo para avaliar quem quer comandar o país.


A loja de chocolates

Uma franquia da Kopenhagen, administrada por empresa ligada a Flávio, entrou na investigação. Para o Ministério Público, a loja teria servido para “esquentar” dinheiro da rachadinha, com depósitos em espécie que não combinavam com o movimento de negócios parecidos. O valor apontado chegava a R$ 1,6 milhão.

Lavagem de dinheiro, de forma simples, é fazer dinheiro de origem suspeita parecer dinheiro de um negócio legal.

A defesa nega. O caso segue o mesmo destino da rachadinha: provas anuladas, denúncia arquivada, nenhuma condenação. Flávio acabou entregando a loja em 2021.


Governo Bolsonaro: de filho a operador


Eleições para prefeito do Rio: Flávio Bolsonaro vem aí?

Com o pai no Planalto, Flávio virou um dos principais defensores do governo e da família no Senado. Atuou em articulações, blindou o pai em crises e alinhou-se ao discurso de ataque ao STF.

Aqui não há acusação nenhuma, e isso é justamente o ponto. Sua atuação foi política e pública: ele escolheu ser o escudo do clã. A pergunta que fica é como alguém que passou o governo defendendo a família chega a se apresentar como quem vai governar para todos.


Trump e a política importada

Em maio de 2026, Flávio foi recebido por Donald Trump na Casa Branca, em plena pré-campanha. Disse ter pedido que os EUA classificassem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.

Traduzindo: ele lesou a própria pátria, levou a um governo estrangeiro uma pauta de segurança brasileira. Isso é traição política, não um acordo firmado e muito menos uma política pública. Mostra o modelo que ele quer trazer para cá: a política de confronto, das mentiras e dos cortes para viralizar nas redes sociais do trumpismo.


Vorcaro e Dark Horse: o caso mais atual


Vorcaro apresenta nova proposta de delação e inclui Flávio Bolsonaro e …

Quem é Daniel Vorcaro? Dono do Banco Master, alvo de investigações da Polícia Federal.

Segundo documentos da PF, Flávio trocou mensagens com Vorcaro por cerca de três meses e os dois se encontraram seis vezes. As conversas tratam, entre outros assuntos, de dinheiro para o filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro. A PF e a PGR apontam que Flávio foi o interlocutor direto de Vorcaro nas negociações e que Eduardo Bolsonaro gerenciava o dinheiro.

Flávio é formalmente investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas (mandar dinheiro ao exterior fora das regras). Em setembro de 2026, a PF fez operação com 49 mandados de busca contra 29 pessoas, incluindo o deputado Mário Frias e a produtora do filme.

O que sabemos e o que não sabemos:

  • Fato: existe investigação e Flávio é investigado.
  • Fato: a PF registrou conversas e encontros.
  • Não há: denúncia ou condenação até agora.

Este caso tem um peso diferente dos antigos, porque está vivo, é federal e acontece em plena campanha. E quem prometia distância de figuras assim agora tem os registros da PF para explicar.


Fé como estratégia eleitoral

O site de campanha apresenta Flávio como evangélico e adota o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade“. Em setembro de 2026, ele disse que, se eleito, “decretaria que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. Depois, a equipe explicou que era algo simbólico.

O Brasil é um Estado laico: o governo não pode favorecer nenhuma religião. Um presidente pode ter fé, e deve ter liberdade para isso. O problema é usar a fé como ferramenta de campanha e fazer promessas que desrespeitam quem crê diferente, ou não crê.

E não dá para generalizar: há evangélicos e católicos de todos os posicionamentos políticos.

O caso CNBB

O que se seguiu foi uma mistura de bastidores, informação fora de contexto e desinformação nas redes sociais. Durante uma transmissão da GloboNews, uma jornalista experiente afirmou que setores da Igreja Católica estariam preocupados com uma possível articulação de grupos evangélicos fundamentalistas. Segundo a informação apresentada na ocasião, esses grupos estariam pressionando Flávio Bolsonaro a apoiar a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, com o objetivo de enfraquecer a influência da Igreja Católica e ampliar a hegemonia de setores evangélicos no país.

A declaração provocou repercussão e, posteriormente, a emissora se retratou. O episódio, porém, deixou uma questão política relevante: como uma informação apresentada em rede nacional pode rapidamente se transformar em narrativa eleitoral — especialmente quando envolve fé, identidade religiosa e disputa por poder?


Resumo: os casos lado a lado

PeríodoEpisódioO que aconteceuStatus atual
AlerjRachadinhaMP acusou Flávio de liderar esquemaArquivado após provas anuladas; sem condenação
AlerjAdriano da NóbregaRelações políticas e familiares documentadasFato histórico; sem condenação de Flávio
AlerjLoja de chocolatesMP apontou suspeita de lavagemLigada ao caso arquivado
2019–2022Governo BolsonaroDefesa do governo e da famíliaFato político
2026TrumpEncontro na Casa BrancaFato documentado
2026VorcaroConversas e encontros registrados pela PFSob investigação
2026Dark HorseFinanciamento do filmeInvestigação em andamento
2026CNBBPolítica X Religião Controvérsia eleitoral

O que a trajetória revela

Sem inventar conspiração e sem misturar casos diferentes, três coisas se repetem:

  1. Poder de família. O sobrenome sempre veio antes do currículo.
  2. Poder de cargo. Da Alerj ao Senado, a carreira cresceu sempre perto do dinheiro público e das decisões.
  3. Poder de rede. Empresários, pastores, aliados estrangeiros e gente de reputação duvidosa sempre orbitaram o entorno dele.

Por que nossa conclusão é clara

O que nos leva a dizer que Flávio Bolsonaro não é uma pessoa confiável para cargo público, muito menos para a Presidência, é o conjunto da obra:

  • um gabinete que virou caso nacional e que ele nunca explicou de forma convincente;
  • uma sequência de relações, com Adriano, Queiroz e agora Vorcaro, que ele minimiza sempre que vêm à tona;
  • a versão inicial de distância de Vorcaro, contrariada pelos registros da PF;
  • uma investigação federal aberta, em plena campanha, sobre dinheiro de um banqueiro investigado;
  • o uso da fé como slogan.

Ninguém precisa de condenação para fazer um julgamento político. Quem pede o voto de 200 milhões de brasileiros precisa oferecer transparência, e a história dele oferece, no máximo, explicações tardias.

O outro lado, para ser justo: os defensores de Flávio lembram que ele nunca foi condenado, que a Justiça arquivou o caso da rachadinha e que a investigação do Dark Horse ainda está no começo. Para eles, tudo isso é “perseguição política” em ano eleitoral. É um argumento legítimo, e cabe a você pesar.


E agora?

Faltam poucos dias para a eleição. A investigação do Dark Horse continua, e o eleitor vai decidir sem ter todas as respostas.

Então fica a pergunta: até que ponto um candidato precisa se explicar para merecer a sua confiança?

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