Fé e política: o que a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida revela sobre o poder religioso no Brasil

Fé e política: o que a polêmica envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida revela sobre o poder religioso no Brasil

Entre religião, eleições e disputa de valores, o caso mostra como símbolos de fé podem virar instrumento político — e abre uma discussão sobre poder, racismo, misoginia, elitismo e os limites entre convicção religiosa e Estado laico


O batismo de Flávio Bolsonaro - Itabira Gospel

Na noite de 24 de setembro de 2026, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) publicou um vídeo nas redes sociais negando algo que, segundo ele, nunca chegou a propor: retirar Nossa Senhora Aparecida do posto de Padroeira do Brasil. A alegação, que classificou como “fake news” atribuída a adversários, tinha viralizado horas antes em publicações que falavam em “ataque aos católicos”.

Vamos ser diretos aqui, logo de cara: não há evidência de que Flávio Bolsonaro tenha proposto isso. A própria campanha nega, e reportagens que apuraram o caso não encontraram nenhuma declaração dele nesse sentido. Então, se você chegou até este artigo achando que vai ler sobre um plano real para “tirar a padroeira”, pode relaxar — essa não é a história.

A história de verdade é outra, e é bem mais interessante: por que uma alegação sobre uma santa católica consegue, em poucas horas, mobilizar tanta gente, tanta raiva e tanta disputa política?

Essa pergunta é a porta de entrada para um tema que atravessa a história do Brasil inteiro: a relação — nem sempre confortável — entre fé, identidade e poder.


Nossa Senhora Aparecida: muito mais do que uma imagem religiosa

Saiba o que rezar em frente à imagem de Nossa Senhora Aparecida

Antes de falar de política, vale entender do que estamos falando.

Nossa Senhora Aparecida é uma pequena imagem de terracota, de cerca de 36 centímetros, encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul em 1717. A partir de relatos de milagres associados à imagem, a devoção cresceu até se tornar um dos maiores fenômenos religiosos do país. Em 1930, o papa Pio XI a declarou Padroeira do Brasil, e em 1980 — ano da visita do papa João Paulo II — o dia 12 de outubro virou feriado nacional.

Hoje, o Santuário Nacional de Aparecida recebe milhões de romeiros por ano e já foi visitado pelos três últimos papas. É, sem exagero, um dos maiores pontos de fé popular da América Latina.

  • Você sabia? A imagem de Nossa Senhora Aparecida é escura — o que, para muitos estudiosos e fiéis, tem um peso simbólico enorme em um país marcado por séculos de escravidão e racismo. Não é incomum ver essa característica sendo mencionada como motivo de orgulho por figuras públicas de diferentes campos políticos, de artistas a líderes religiosos.

Esse detalhe já ajuda a entender por que a santa não “pertence” a nenhum partido: ela é um símbolo compartilhado por milhões de brasileiros de trajetórias, cores e posições políticas completamente diferentes.


Fé e poder nunca estiveram totalmente separados no Brasil

G1 - Cerca de 35 mil fiéis participam de missa solene em Aparecida ...

Para entender por que uma polêmica envolvendo uma santa consegue empolgar tanta gente politicamente, é preciso voltar um pouco no tempo.

No Brasil colonial, a Igreja Católica caminhava lado a lado com a Coroa portuguesa, em um sistema chamado padroado: o rei tinha poder sobre nomeações eclesiásticas, e a Igreja ajudava a legitimar o domínio colonial e a catequizar — muitas vezes à força — populações indígenas e escravizadas.

No Império, o catolicismo seguiu como religião oficial do Estado, com pouco espaço para outras crenças.

Com a República, em 1889, veio a separação formal entre Igreja e Estado. O Brasil se tornou, ao menos no papel, um país laico.

Nas últimas décadas, um novo capítulo começou: o crescimento acelerado das igrejas evangélicas, a formação de bancadas religiosas no Congresso e a entrada cada vez mais direta de lideranças religiosas na disputa eleitoral — turbinada, nos últimos anos, pelas redes sociais.

Ou seja: a mistura entre fé e poder não é novidade nenhuma na história brasileira. O que muda, de tempos em tempos, é a intensidade — e os instrumentos usados para isso.


MM Explica: Estado laico significa Estado sem religião?


Estado Laico: o que é, resumo, função, no Brasil

Não. Essa é uma confusão comum.

Estado laico significa que o poder público:

  • não tem uma religião oficial;
  • não pode dar privilégios a uma fé específica;
  • precisa garantir liberdade religiosa a todos;
  • protege também quem não tem religião nenhuma.

Isso não significa que religiosos devam ficar fora da política. Pastores podem ser candidatos. Padres podem se posicionar publicamente. Fiéis católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas ou de qualquer outra fé podem votar de acordo com suas convicções, como qualquer outro cidadão.

O problema democrático não é a fé entrar na política. É quando uma crença particular tenta virar regra obrigatória para todo mundo, inclusive para quem não a compartilha.


Como a religião ganhou tanto peso na política eleitoral brasileira

Os planos da bancada evangélica para as eleições deste ano | VEJA

A Constituição de 1988 garantiu ampla liberdade religiosa no país — e, ao mesmo tempo, coincidiu com um período de forte expansão das igrejas evangélicas, especialmente pentecostais. Esse crescimento se traduziu, nas décadas seguintes, em bancadas cada vez mais numerosas no Congresso e em uma Frente Parlamentar Evangélica influente.

Pesquisas em ciência política têm mostrado que esse fenômeno não é uniforme: o efeito da religião sobre o comportamento eleitoral varia bastante conforme a denominação, a região e o contexto de cada eleição. Estudos sobre o pleito de 2018, por exemplo, associaram o voto em Jair Bolsonaro a uma combinação de antipetismo e ideologia conservadora, com mecanismos diferentes entre católicos, protestantes históricos e pentecostais. Já pesquisas sobre 2022 identificaram um papel relevante de lideranças religiosas na mobilização do voto — um efeito que não ficou restrito ao público evangélico.

O ponto central aqui é: religião, no Brasil, deixou de ser apenas uma esfera privada de fé para se tornar também um território de disputa de votos, influência e visibilidade.


A “guerra dos costumes”: de onde vêm essas pautas

Boa parte da força política da religião nas últimas décadas se organizou em torno do que costuma ser chamado de “pauta de costumes”: aborto, “ideologia de gênero”, educação sexual, direitos de pessoas LGBTQIA+, casamento homoafetivo.

Por que justamente esses temas?

Pesquisas na área de sociologia da religião apontam que setores organizados do ativismo religioso conservador passaram a atuar de forma coordenada em disputas envolvendo direitos sexuais, reprodutivos e políticas de gênero — um movimento que ganhou força tanto entre evangélicos quanto entre católicos conservadores.

Isso ajuda a explicar um fenômeno que intriga muita gente: como grupos que historicamente tiveram divergências teológicas profundas — católicos e evangélicos — passaram a caminhar juntos em determinadas pautas políticas. A resposta é simples: pautas em comum criam alianças, mesmo entre quem discorda em outros pontos da fé.


Onde entram racismo, misoginia e elitismo?


Misoginia e racismo – Crônicas da Cidade – Canal de histórias do cotidiano

Esse é o ponto mais delicado — e mais importante — desta discussão. Vamos com cuidado, porque generalizar aqui seria tão injusto quanto ignorar o problema.

Não é verdade que todo religioso seja racista, machista ou elitista. Existem movimentos religiosos antirracistas, feministas cristãs, pastorais sociais voltadas para populações vulneráveis e comunidades de fé abertamente afirmativas em relação a pessoas LGBTQIA+.

Mas também é fato que, em determinados discursos e setores, estruturas como racismo, misoginia e elitismo aparecem disfarçadas de defesa de “valores” ou de “família tradicional”. Vale observar como isso pode se manifestar:

EstruturaComo pode aparecer no discurso político-religioso
RacismoTratamento de religiões de matriz africana como “inferiores” ou “perigosas”
MisoginiaDiscussões sobre “família” que terminam controlando o corpo e as escolhas das mulheres
LGBTfobiaTransformação da diversidade sexual e de gênero em “ameaça moral”
ElitismoUm modelo único de família apresentado como “natural”, ignorando realidades de mães solo, famílias periféricas e arranjos diversos
Fundamentalismo políticoUma crença particular sendo tratada como norma que deveria valer para toda a sociedade

O corpo das mulheres, por exemplo, costuma ocupar um lugar central nessas disputas: discussões sobre aborto, contracepção e maternidade aparecem com frequência disfarçadas de debate sobre “moral da família” — quando, no fundo, tratam da autonomia feminina sobre o próprio corpo. Da mesma forma, populações LGBTQIA+, que representam uma parcela específica da sociedade, acabam sendo tratadas, em determinados discursos, como uma ameaça coletiva à ordem social — uma generalização que a literatura acadêmica sobre o tema descreve como parte de uma estratégia política, não como um retrato fiel da diversidade de posições dentro das próprias igrejas.


MM Explica: fundamentalismo religioso é a mesma coisa que ser religioso?


Ejemplos De Fundamentalismo Religioso

Não — e essa distinção importa muito para não transformar “fundamentalista” em xingamento genérico.

  • Religiosidade é a vivência pessoal de uma fé.
  • Conservadorismo religioso é uma interpretação que valoriza tradições e normas específicas dentro de uma religião.
  • Fundamentalismo é um termo mais específico, usado para movimentos que defendem uma leitura considerada literal ou rígida de textos e princípios religiosos — seu uso e significado variam conforme o contexto histórico e teológico.
  • Fundamentalismo político é quando essa leitura rígida passa a orientar, de forma abrangente, a organização política e social de todo um país.

Ser religioso não é sinônimo de nenhuma dessas três últimas categorias. A confusão entre elas é, inclusive, um dos motivos pelos quais debates sobre religião e política costumam descambar rapidamente para o ataque pessoal em vez da análise.


Existe também uma fé progressista — e ela é maior do que parece


Movimentos cristãos progressistas: quando a fé é impulso na luta por ...

Um erro comum em discussões como essa é cair na equação “religião = direita”. Ela é simplesmente falsa.

O Brasil tem uma tradição robusta de:

  • teologia da libertação, que uniu fé católica e luta por justiça social desde os anos 1960/70;
  • pastorais sociais ligadas a populações em situação de rua, trabalhadores rurais e periferias urbanas;
  • comunidades cristãs LGBTQIA+ afirmativas;
  • movimentos evangélicos progressistas;
  • feminismo cristão;
  • lideranças religiosas negras que unem fé e luta antirracista.

Ignorar essa parte do campo religioso brasileiro — que também vota, também tem fé e também disputa espaço público — é um erro tão grave quanto fingir que problemas como o fundamentalismo político não existem.


Bolsonaro entendeu o poder político da religião — e Flávio tenta construir o seu próprio caminho


Santuário de Aparecida confirma visita de Bolsonaro no dia da Padroeira

Ao longo de 2018, 2022 e agora em 2026, a aproximação entre o campo político bolsonarista e setores religiosos conservadores se tornou uma marca registrada. Discursos com forte apelo cristão, presença constante em templos e igrejas e o uso de símbolos religiosos em campanhas eleitorais passaram a fazer parte da estratégia.

Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência em 2026, tenta trilhar seu próprio caminho nesse território. Ele tem frequentado cultos e missas de diferentes denominações, participou de romarias católicas e costuma reforçar sua fé em falas de campanha — sem, segundo reportagens recentes, se aprofundar em disputas teológicas específicas.

Mas vale um detalhe importante: o campo religioso conservador não é um bloco unido atrás de um único nome. Reportagens da imprensa relataram divergências públicas entre lideranças evangélicas influentes sobre qual candidatura apoiar em 2026 — o que revela que, mesmo dentro de um mesmo espectro político-religioso, existem disputas internas de poder e influência.

Isso leva a uma pergunta interessante: se a ideia de “unidade cristã” é tão usada no discurso político, por que os próprios líderes religiosos que sustentam esse discurso estão frequentemente divididos entre si?


A “guerra espiritual” chegou às redes sociais

Um levantamento divulgado em setembro de 2026 analisou dezenas de milhares de publicações relacionadas à crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal e identificou forte circulação de narrativas religiosas em redes bolsonaristas — incluindo a apresentação de figuras políticas como “escolhidas por Deus” e a demonização de adversários institucionais.

Esse tipo de narrativa não fica restrito a discursos de campanha: ela circula por WhatsApp, TikTok, Instagram e Telegram, muitas vezes amplificada por pastores-influenciadores e páginas de conteúdo político-religioso. O resultado é uma linguagem que transforma disputas institucionais — decisões judiciais, embates entre Poderes — em batalhas quase religiosas entre “o bem” e “o mal”.

  • Você sabia? Episódios de desinformação envolvendo Nossa Senhora Aparecida não são novidade. Já em eleições anteriores, boatos sobre supostos planos de “acabar com o feriado de 12 de outubro” ou “trocar o nome” da padroeira circularam nas redes — e foram desmentidos por agências de checagem de fatos. A polêmica de 2026 envolvendo Flávio Bolsonaro segue, portanto, um padrão recorrente: símbolos religiosos nacionais viram matéria-prima fácil para desinformação política, justamente porque mexem com algo emocionalmente muito forte para milhões de pessoas.

“Deus está do meu lado”: por que essa frase é tão poderosa politicamente


Imagens Sobre O Cristianismo - FDPLEARN

Quando um político afirma que “Deus está com ele”, algo importante acontece no debate público: a disputa deixa de ser apenas entre candidato A e candidato B e passa a ser enquadrada como uma luta entre o bem e o mal, entre “os cristãos” e seus supostos inimigos.

Esse tipo de linguagem tem um efeito concreto: ele dificulta o diálogo e a divergência saudável, próprios de qualquer democracia. Afinal, se o adversário não é apenas alguém com quem discordo, mas alguém do “lado errado” de uma disputa espiritual, fica mais fácil justificar hostilidade, exclusão e até violência simbólica contra ele.

Isso não significa que toda menção religiosa na política siga esse caminho extremo. Mas é importante reconhecer o mecanismo: quanto mais um discurso político se apropria de uma linguagem de “bem contra o mal”, mais ele tende a reduzir o espaço para o pluralismo — um dos pilares de qualquer democracia.

Em uma sociedade plural como a brasileira, formada por católicos, evangélicos, espíritas, umbandistas, candomblecistas, ateus, agnósticos e praticantes de dezenas de outras tradições, nenhum candidato tem — nem deveria ter — o monopólio sobre o que é “a vontade de Deus”.


Nossa Senhora Aparecida pertence a quem, afinal?


Santuário Nossa Senhora Aparecida – BOXB

Voltando ao gancho que abriu este artigo: a resposta mais honesta é que a devoção pertence aos fiéis, não a um partido, um candidato ou uma corrente política específica.

Ao longo da história recente, presidenciáveis de diferentes espectros políticos já visitaram o Santuário Nacional de Aparecida e prestaram homenagens à santa em 12 de outubro — de figuras associadas à direita a nomes de centro e de esquerda. Isso reforça que o símbolo, em si, não tem “dono” ideológico. O que muda, de eleição para eleição, é a intensidade com que diferentes campos tentam se apropriar dele.

Quando um candidato — de qualquer partido — tenta transformar um símbolo religioso nacional em propriedade eleitoral de sua própria corrente, o que está em jogo não é apenas uma estratégia de campanha: é uma tentativa de restringir algo que, por natureza, pertence a todo mundo.


O que essa polêmica revela, no fundo

Pastores Mais Famosos Do Brasil - NAZAEDU

Por trás de uma alegação sobre uma santa, existem pelo menos quatro disputas acontecendo ao mesmo tempo:

  1. Disputa eleitoral — quem consegue mobilizar mais eleitores usando linguagem religiosa;
  2. Disputa cultural — quem consegue definir o que a sociedade vai considerar “normal” ou “aceitável”;
  3. Disputa institucional — até que ponto convicções religiosas devem influenciar políticas públicas que valem para todos, inclusive para quem não compartilha essa fé;
  4. Disputa simbólica — quem consegue se apresentar como o campo que está “do lado de Deus”.

Entender essas quatro camadas ajuda a interpretar não só esse episódio específico, mas praticamente qualquer polêmica futura que misture religião e eleições no Brasil.


Glossário rápido

  • Estado laico: Estado que não tem religião oficial, garante liberdade religiosa e trata igualmente pessoas de todas as crenças (ou de nenhuma).
  • Padroado: sistema colonial em que a Coroa portuguesa tinha poder de interferência sobre nomeações e estrutura da Igreja Católica no Brasil.
  • Bancada evangélica: grupo de parlamentares que se articulam politicamente em torno de pautas ligadas a igrejas evangélicas.
  • Guerra cultural (ou guerra dos costumes): disputa política em torno de temas como gênero, sexualidade, família e educação.
  • Fundamentalismo: interpretação religiosa rígida e literal de textos e princípios de fé; quando extrapola para o campo político, busca moldar a organização social a partir dessa leitura.
  • Teologia da libertação: corrente teológica católica surgida na América Latina que associa fé cristã à luta contra a pobreza e a injustiça social.


Entenda porque Nossa Senhora Aparecida é a Padroeira do Brasil ...

Nossa Senhora Aparecida não precisa ser colocada contra Jesus. Católicos não precisam ser colocados contra evangélicos. Pessoas religiosas não precisam ser colocadas contra quem não tem religião nenhuma.

O verdadeiro desafio de uma democracia plural é bem mais simples de enunciar — e bem mais difícil de praticar: garantir que cada pessoa possa viver sua fé sem transformar a fé do outro em obrigação. Porque, quando um símbolo religioso vira propriedade de um partido, a própria religião perde parte da sua pluralidade. E quando uma crença particular vira regra para todo mundo, quem não pertence a ela deixa de ser apenas “diferente” — passa a ser tratado como alguém que precisa ser corrigido.

É nesse ponto que a fé deixa de ser só fé e começa a virar instrumento de poder.

Talvez, por isso, a pergunta mais importante da política brasileira hoje não seja “de que lado Deus está”. Mas sim: que tipo de país queremos construir quando pessoas que acreditam em coisas diferentes precisam continuar vivendo juntas?


Apoie nosso trabalho!  Clique e Se torne um(a) apoiador(a).

Fontes consultadas

CNN Brasil; SciELO (periódicos de Ciência Política e de Religião & Sociedade); DCM; UOL Notícias; Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); registros históricos do Santuário Nacional de Aparecida.