Este guia foi elaborado pela equipe editorial da MM MONTEIROS com base em dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), histórico parlamentar no Senado Federal e na Câmara dos Deputados, programas de governo oficiais e coberturas jornalísticas de veículos de referência nacional (Folha de S.Paulo, O Globo, UOL, CNN Brasil, JOTA e Agência Brasil).
O Rio de Janeiro chega às Eleições 2026 diante de uma oportunidade singular de reconfiguração política: duas cadeiras estarão em disputa no Senado Federal, representando a renovação de dois terços da bancada fluminense em Brasília. Mais do que uma simples escolha de nomes para preencher vagas no Legislativo federal, o pleito define quem terá poder de decisão sobre os rumos econômicos, institucionais e sociais do país.
Com o cenário político já consolidado pelas convenções partidárias e registros processados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a corrida ao Palácio Tiradentes e ao Congresso Nacional reúne perfis plurais que refletem as diferentes correntes ideológicas do estado.
Neste guia eleitoral completo da MM MONTEIROS, detalhamos as trajetórias, as principais bandeiras, os alinhamentos e o impacto institucional de cada candidatura ao Senado em 2026.
1. Afinal, o que faz um senador?
Antes de analisar os nomes, é preciso compreender o peso institucional do cargo. O Senado Federal é composto por 81 parlamentares — três por cada estado e pelo Distrito Federal, independentemente do tamanho demográfico.
O senador possui um mandato de oito anos e atua em âmbito nacional, exercendo prerrogativas cruciais que afetam diretamente o cotidiano dos cidadãos:
-
Propor e votar leis e Propostas de Emenda à Constituição (PECs);
-
Analisar e aprovar indicações de autoridades, como ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), procurador-geral da República e embaixadores;
-
Julgar autoridades em crimes de responsabilidade, incluindo processos de impeachment;
-
Fiscalizar os atos do Poder Executivo federal e autorizar operações de crédito de estados e municípios;
-
Deliberar sobre política externa e tratados internacionais.
O gancho editorial: O eleitor fluminense escolherá dois nomes em 2026. Essa escolha não elege apenas um representante regional, mas define uma peça fundamental no tabuleiro político de Brasília.
2. O Cenário Eleitoral e os Principais Nomes na Disputa
O levantamento divulgado pela Quaest em julho apontou Benedita da Silva na liderança numérica inicial, seguida por Marcelo Crivella, com um bloco técnico embolado na disputa pela segunda vaga. Com o avanço do calendário eleitoral e a oficialização das chapas — a exemplo da consolidação de Carlos Portinho pelo PL e de Douglas Ruas ao governo estadual —, o quadro ganhou contornos definidos.
Abaixo, conhecemos as principais candidaturas oficializadas ou em processo final de validação no TSE:
Benedita da Silva
-
Partido: PT
-
Campo político: Esquerda / Progressista
-
Cargo/experiência: Deputada federal, ex-governadora do Rio de Janeiro e ex-senadora.
-
Principais bandeiras: Defesa intransigente dos direitos sociais, combate à fome, políticas de igualdade racial, direitos das mulheres e fortalecimento das redes de proteção pública.
Pedro Paulo
-
Partido: PSD
-
Campo político: Centro / Centro-direita pragmática
-
Cargo/experiência: Deputado federal e ex-secretário municipal na capital.
-
Principais bandeiras: Gestão fiscal eficiente, desburocratização econômica, investimentos em infraestrutura urbana e parcerias com o setor produtivo.
Luciana Boiteux
-
Partido: PSOL
-
Campo político: Esquerda / Social-democracia progressista
-
Cargo/experiência: Professora universitária e militante de direitos humanos.
-
Principais bandeiras: Reforma do sistema de segurança pública, defesa dos direitos civis das minorias, moradia digna e preservação ambiental.
Mônica Benício
-
Partido: PSOL
-
Campo político: Esquerda / Progressista
-
Cargo/experiência: Vereadora e ativista dos direitos humanos e LGBTQIA+.
-
Principais bandeiras: Direitos civis, combate à violência de gênero e à LGBTfobia, controle social das políticas de segurança e justiça social.
Márcio Canella
(Márcio Canella, filiado ao União Brasil, desistiu de concorrer ao Senado pelo Rio de Janeiro em 2026 e busca retornar à Assembleia Legislativa do estado.)
-
Partido: União Brasil
-
Campo político: Centro-direita / Base municipalista
-
Cargo/experiência: Deputado estadual com forte base na Baixada Fluminense.
-
Principais bandeiras: Desenvolvimento regional, investimentos em saneamento, saúde básica e forte capilaridade na Região Metropolitana.
Marcelo Crivella
(Marcelo Crivella é oficialmente pré-candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, mas a confirmação final da sua elegibilidade ainda depende do voto decisivo do presidente do TSE em 20 de agosto de 2026.)
-
Partido: Republicanos
-
Campo político: Direta / Conservadorismo confessional
-
Cargo/experiência: Deputado federal, ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-senador.
-
Principais bandeiras: Valores tradicionais e familiares, pautas de segurança pública e políticas sociais assistenciais.
Waguinho
-
Partido: Republicanos
-
Campo político: Centro / Centristas regionais
-
Cargo/experiência: Ex-prefeito de Belford Roxo e liderança política da Baixada.
-
Principais bandeiras: Articulação municipalista, investimentos em infraestrutura urbana e geração de emprego.
Carlos Portinho
-
Partido: PL
-
Campo político: Direta / Liberal-conservadora
-
Cargo/experiência: Senador em exercício.
-
Principais bandeiras: Defesa das pautas econômicas liberais, endurecimento de leis penais, alinhamento com a agenda bolsonarista e desregulamentação de mercados.
Marcos Dias
-
Partido: Podemos
-
Campo político: Centro / Reformista
-
Principais bandeiras: Combate à corrupção, transparência na gestão pública e reformas institucionais.
Sávio Neves
-
Partido: PSDB
-
Campo político: Centro / Social-democracia moderada
-
Principais bandeiras: Fomento ao turismo sustentável, desenvolvimento econômico regional e gestão técnica.
Hélio Secco
-
Partido: Missão
-
Campo político: Direta / Reformista institucional
-
Principais bandeiras: Renovação política, desestatizações e eficiência administrativa.
(Outras candidaturas devidamente registradas no TSE completam a pluralidade do pleito fluminense).
3. Esquerda, Centro e Direita: Onde cada candidato se posiciona?
As classificações ideológicas não devem ser encaradas como rótulos vazios, mas como reflexo de trajetórias, votos e programas partidários:
-
Esquerda / Progressista: Representada por nomes como Benedita da Silva, Luciana Boiteux e Mônica Benício, com foco na expansão de direitos sociais e regulação estatal voltada à equidade.
-
Centro / Pragmático: Composto por figuras como Pedro Paulo, Márcio Canella, Waguinho, Marcos Dias e Sávio Neves, pautando-se pelo pragmatismo administrativo, alianças amplas e desenvolvimento regional.
-
Direita / Conservadora e Liberal: Integrada por Carlos Portinho, Marcelo Crivella e Hélio Secco, priorizando a agenda de costumes conservadora, o liberalismo econômico e o endurecimento das leis penais.
4. O Grande Tema do Rio: Segurança Pública no Senado
Embora o senador não comande forças policiais diretamente — função reservada ao governador do estado —, ele exerce um papel decisivo na legislação penal e no orçamento federal.
No debate fluminense, as candidaturas dividem-se entre:
-
A visão punitivista e de endurecimento legal: Defendida pelos setores de direita e conservadores, com foco em maiores penas, restrição a institutos de progressão e apoio logístico federal às polícias.
-
A visão de reforma institucional e inteligência: Defendida pelos campos progressistas e de esquerda, priorizando o combate ao fluxo financeiro do crime organizado, fiscalização de armas e redução da letalidade policial por meio de diretrizes federais.
5. Direitos Humanos, Diversidade e Instituições
Como o Senado tem a prerrogativa de sabatinar ministros de tribunais superiores e votar legislações civis, a posição de cada candidato frente às minorias e à democracia é central:
-
Os blocos progressistas enfatizam pautas de direitos LGBTQIA+, igualdade racial, direitos das mulheres e proteção socioambiental.
-
Os blocos conservadores priorizam a defesa da liberdade religiosa, valores tradicionais da família e o respeito estrito ao ordenamento jurídico vigente.
6. O Que Está em Jogo no Senado? (Cenários Possíveis)
A eleição das duas vagas fluminenses pode desenhar diferentes futuros para a representação do estado em Brasília:
-
Cenário de Fortalecimento Conservador: Uma bancada mais alinhada à direita tende a endurecer a oposição a pautas progressistas no Congresso e pressionar por reformas liberais e punitivas.
-
Cenário de Fortalecimento Progressista: Assegura voz ativa a pautas sociais, investimentos federais direcionados e defesa intransigente de direitos civis.
-
Cenário Dividido: Reflete a pluralidade do eleitorado fluminense, exigindo maior capacidade de negociação e diálogo transversal na representação do estado.
